sábado, 3 de abril de 2010

A História Esquecida da Maconha

Até os anos 30, a maconha era conhecida nos EUA apenas pelo seu nome medicinal - cannabis. William Randolph Hearst, utilizando-se do ódio a imigrantes mexicanos e espanhóis, popularizou o nome marijuana, dando a impressão de que a erva era um mal vindo de outro país, podendo, então, demonisá-la.

A história esquecida da maconha é uma lição de como interesses industriais sempre sacrificaram a sustentabilidade para colocar a humanidade num curso de destruição ambiental. Ativistas pró legalização dizem que a proibição começou nos EUA devido à ameaça que a planta fazia frente aos interesses ligados ao lucro com indústrias do plástico, produtos têxteis e de papel do magnata da mídia William Randolph Hearst e da companhia DuPont, ligada à indúsria têxtil.

A maioria dos produtos como cordas, velas (de embarcações) foram feitas de fibra de maconha desde 8,000 antes de cristo até o começo do século 20. No livro "The Emperor Wears no Clothes" (o imperador não veste roupas), o ativista pró-legalização Jack Herer afirma que Napoleão invadiu a Rússia em 1812 para cessar a venda dos russos aos ingleses, pois a planta era muito valiosa e útil nas mais diversas formas na Inglaterra.A declaração de independência dos EUA foi escrita em papel feito com a fibra do cânhamo, subproduto da planta.

Contudo, Herer diz que o uso industrial da planta caiu no começo do século 20 devido à "falta de tecnologia necessária para a produção em massa". Mas, em 1916, o departamento de agricultura dos EUA declara que uma tecnologia capaz de tornar a maconha como o principal produto agrícola dos EUA estava sendo desenvolvida. O departamento de agricultura dos EUA declarou, à época, que 1 acre de plantação de maconha era capaz de produzir a mesma quantidade de papel que 4,1 acres de árvores desmatadas para a produção do mesmo.

Nos anos 30, quando as novas tecnologias para o plantio de maconha começaram a ser utilizadas a um custo financeiro razoável, a Hearst Paper Manufacturing Division, Kimberley Clarke e todas as companhias de madeira, papel e muitos muitos magnatas por trás de grandes jornais perderiam bilhões de dólares, caso não agissem em favor da criminalização da planta.

Mas a volta da maconha industrial nos anos 30 não ameaçou apenas interesses de jornais e tais companhias. A forte fibra natural do cânhamo também é ideal para a produção têxtil, de plástico e até mesmo explosivos. A DuPont acabara de patentear o nylon, assim como processos de produção de plástico a partir de petróleo e novas tecnologias altamente poluidoras como a produção do papel a partir da madeira.

Nos anos 30, os jornais de Hearst deliberadamente fabricaram uma nova ameaça aos EUA. O próprio declarou, mais tarde que: "Uma história de um acidente de carro no qual um baseado foi achado dominaria as manchetes por semanas, enquanto que acidentes causados por consumo de álcool só apareceriam nas páginas internas".

De acordo com os próprios registros internos da DuPont, Herer explica: "80% dos negócios da DuPont não seriam possíveis caso a proibição da maconha não acontecesse."

Em 1937, a maconha se tonaria ilegal, após a lei chamada de Marijuana Tax Act removê-la do mercado. Mas antes que fosse proibida, a erva necessitou ser demonizada. É aí que entra o papel de William Randolph Hearst, megamilionário controlador da maioria dos meios de comunicação estadunidenses da época, na vida do qual foi baseado o filme de Orson Welles "Cidadão Kane". Hearst usou a sua cadeia de jornais para espalhar a propaganda antimaconha, apesar de diversos relatórios oficiais da Inglaterra e EUA concluírem que o uso da erva não trazia mais danos à saúde do que outras drogas legalizadas.

O pesquisador Herer diz que a ficção de crimes relacionados à maconha tomaram conta da mente dos americanos através do uso de manchetes histéricas comos "Causadora de Loucura" e "Maconha - assassina da juventude". Através dos anos 30, a rede de tablóides de Hearst publicava matérias sensacionalistas sobre "pretos chapados de maconha" que supostamente estupravam mulheres brancas, enquanto tocavam uma música de "vudú satânico", nos dias de hoje conhecida simplesmente como Jazz. A campanha de Hearst seria hoje motivo de riso não fosse a "cannabisfobia" que ajudou a criar. A corporação Hearst, dona da National Magazine Company, da Inglaterra, e publicadora de Cosmopolitan e Esquire, mostraram-se portadoras do mesmo tipo de sensacionalismo em relação à maconha.

Após proibida nos EUA, o país lançou uma campanha mundial que acabou por proibir o cultivo da planta na maioria dos países até os dias atuais.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A bag of weed

Para descontrair

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Singelo agradecimento




Olhei minhas fotos e chorei muito. Chorei muito para aliviar todos os momentos de dor. Chorei muito para agradecer a oportunidade de ver novamente essas fotos.

De lembrar sorrindo e chorando de cada história, cada pessoa, cada lugar, cada momento.

Cada um especial a sua forma, todos inesquecíveis!

Gostaria de agradecer, do fundo do coração a toda a corrente de orações e pensamentos positivos. É todo o apoio que preciso para vencer mais esta batalha em minha vida.

Com quem ainda não tenho uma foto, é sinal de que me deve uma visita para que tenhamos esse registro. Me recupero da melhor forma possível na tranquilidade do meu lar e com o amparo da minha família e amigos.

Para se ter o conhecimento, é preciso se ter a experiência. Tudo em nossa vida é aprendizado e podemos tirar uma boa história.

Mais uma vez, obrigado a todos por tudo.

Fiquem com Deus e ele está aqui comigo, sempre.

Grande abraço

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Como funciona um concurso de criação.

Interessante a profissionais das áreas de publicidade e propaganda, design e afins.

Buscando atualizações a respeito de concursos relativos a criação, encontrei por acaso o site www.oscriativos.com.br . O site vende a seguinte idéia: Você estudante da área de criação que busca uma oportunidade de mostrar ao mundo seu trabalho, este é o lugar.

Lindo, uma empresa que te oferece briefings por meio de patrocinadores para que lide com problemas reais do mercado. Porque ninguém nunca pensou nisso certo? Como já diria o sábio e velho ditado: "Quando a esmola é demais, o santo desconfia."

Vale ressaltar aqui a importância de se ler contratos e regulamentos de todo e qualquer serviço ou site que queira se cadastrar.

Abaixo segue um trecho do regulamento para o cadastro no site www.oscriativos.com.br:

19. Os participantes reconhecem e concordam expressamente que suas participações nos concursos, compreendendo idéias e criações para campanhas publicitárias enviadas, inclusive aquelas vencedoras, não serão devolvidas aos seus respectivos autores-participantes após o término dos concursos, bem como reconhecem que não farão jus a qualquer remuneração ou contra-prestação, a que título seja, nem por sua criação, alteração, adaptação ou transferência, nem por sua eventual utilização pelos patrocinadores do site ou terceiros. É condição essencial à participação em concurso, portanto, a cessão a título gratuito e definitivo, à empresa patrocinadora do mesmo, dos direitos autorais necessários à publicação, alteração, adaptação e exploração das mesmas, para sua utilização e reprodução, total ou parcial, por qualquer meio e instrumento reprodutivo, quer impresso, analógico ou digital, sem limitação de território e em conexão com quaisquer outras obras, produtos ou serviços, através de todos os meios e canais de comunicação, sejam com fins publicitários, culturais ou educacionais, como anúncios, reclames, programas de televisão, livros, apostilas, artigos, jornais, revistas, folhetos e demais veículos de publicidade, por meio real ou virtual.

19.1. O participante concorda e aceita que, em decorrência da cessão de direitos autorais sobre as imagens e textos constantes de sua participação, não poderá utilizá-los em qualquer outra finalidade não prevista no presente instrumento, inclusive publicá-las, fornecê-las e comercializá-las a terceiros, sem o prévio e expresso consentimento da promotora ou patrocinadora do concurso.

Pois bem, espero que não tenha sido preguiçoso e deixado de ler o regulamento também. Senão, foi em vão o texto que escrevo agora.

Algumas perguntas:
  1. Como é possível você se mostrar para o mundo sendo que você concorda e aceita que não poderá utilizar o seu trabalho para nenhuma outra finalidade além do concurso?
  2. Como poderá dizer que foi você que fez o trabalho se o patrocinador tem o direito de modificar e utilizar os arquivos da forma que bem entender?
  3. Como ceder direitos autorais de um trabalho sendo que "o ganhador não fará jus a qualquer remuneração"?
Sim. Essa é a forma que funciona um concurso na área de criação. Não quero concluir nada para evitar futuros processos. De preferência aguardo esclarecimento dos responsáveis pelo site.

Grato

terça-feira, 10 de julho de 2007

Empreendedorismo jovem


Saudações,

O texto a seguir é uma homenagem a todas as pessoas que um dia imaginaram uma forma de ganhar dinheiro e hoje correm atrás deste sonho.

Há cerca de 7 anos atrás, eu e um grupo de amigos fundamos a BJD Informática. Prestávamos diversos serviços utilizando o computador como ferramenta. O objetivo da empresa era apenas um: beber todo o dinheiro que ganhássemos.

Tivemos muitos trabalhos e a firma durou um tempo razoável.

Atualmente trabalhando como free lancers, eu e meu amigo-sócio optamos por retomar o empreendimento de forma mais profissional. Juntamos um programador e um designer para trabalharmos com web. Surge então a I9.

Algumas peculiaridades diferem a I9 de uma agência de comunicação qualquer. Primeiramente, não pensamos em ganhar rios de dinheiro. Nossa política é ajudar o micro e pequeno empresário a divulgar sua empresa eliminando barreiras físicas para essa comunicação. Não possuímos também loja física. Somos um website e iremos onde houver clientes em potencial.

Amadurecemos bastante no decorrer dos últimos anos: trocamos a meta de beber todo o dinheiro por estudar enquanto houver dinheiro. Os profissionais da I9 estão em constante atualização teórica e técnica.

Você que lê agora este texto e deseja que sua empresa amplie o alcance de sua comunicação, não deixe de visitar o nosso site: www.i9consultoria.com

Fiquem com Deus e um grande abraço!

Atenciosamente,
João Vítor Carvalho
Diretor de criação e sócio-fundador

sábado, 23 de junho de 2007

Defendendo quem não merece defesa


Saudações,

As pessoas mais próximas têm percebido ultimamente a batalha travada entre mim e o cigarro. Quando digo ultimamente refiro-me aos 4 últimos anos, visto que sou fumante há 10 anos (calma pessoal, nos 4 primeiros anos fui um fumante casual.).

Comecei a fumar como qualquer outra pessoa (essa é a melhor parte, onde eu posso sair culpando a todos pela minha fraqueza), por curiosidade. Desde criança ficava maravilhado ao ver as pessoas (meus familiares) soltando fumaça pela boca, quando a soltavam pelo nariz eu ia a loucura! No segundo momento, como forma de integrar-me a um grupo de amigos (desculpa esfarrapada, dos meus grandes amigos, apenas 2 fumam). Recém-chegado a um novo colégio onde alguns garotos fumavam escondidos na parte exterior da janela no 4º andar de um prédio com as cortinas fechadas (isso acontecia durante as aulas). Era o máximo a sensação de liberdade e de onipotência daqueles momentos.

Paralelamente a isso, começava a sair para as baladas e a andar de sk8. Quebrando preconceitos: pelo que constatei pouquíssimos skatistas fumam, portanto, minha idéia de andar de sk8 e fumar era errônea, mas uma imagem de "garoto malvado" que gostava de passar.

Pausa (vou acender um cigarro)

Nunca fumei excessivamente. Comecei fumando 1 cigarro a cada dois ou três dias e aumentei paulatinamente a quantidade. Aos 15 anos andava com uma mochila vazia para esconder o meu maço de Hollywood vermelho dos meus pais. Indagado a respeito da mochila, afirmava sempre ser mais uma questão de estilo que necessidade. Nessa época tive a primeira crise de "caralho, estou fumando pra caralho!!!" e optei por parar. Mantive essa pausa por praticamente um ano e voltei fumando 2 cigarros por dia.

Sempre tive um relacionamento muito aberto com meus pais e, quando voltei, eles souberam. Não foram coniventes, recebi inúmeros castigos por chegar em casa fedendo a cigarro. Meus pais fumam e tenho um irmão um pouco mais inteligente, que tem pavor a bebida e a cigarro, além de ser muito alérgico a fumaça do tubinho de câncer.

Minha vida como fumante deu uma grande alavancada aos 18 anos. Ao alcançar a maioridade podia comprar meus cigarros em qualquer lugar (não que alguma vez encontrei dificuldades para comprá-los, essa fiscalização, a meu ver, jamais existiu verdadeiramente). Para completar acabava de ser aprovado no vestibular e me mudei para Vitória-ES. Pronto, estava totalmente livre para fumar o quanto quisesse e em uma república onde 5 dos 6 integrantes fumavam. Nesse período optei por conhecer diferentes marcas e sabores de cigarro e mantive-me nos de filtro vermelho. Começava a temporada Camel.

Fumei muito durante este período (fumava mais ou menos 5 cigarros por dia). Principalmente nas depressões por estar longe de amigos e família. As paradas casuais ocorriam quando começava algum relacionamento mais sério e as parceiras reclamavam do cheiro.

Mudei de república por motivos particulares. Na segunda república que morei em Vitória eu era o 2º dos quatro integrantes que tinha este hábito e a vigilância era severa. Apenas podíamos fumar na varanda do apartamento. Entreguei-me ao vício e passava longas tardes tostando ao sol, bebendo cachaça, água e fumando. A noite tomava leite para curar o porre e dormia em seguida para ir a faculdade na manhã seguinte.

Ao contrário dos demais fumantes, sempre fumei muito menos quando estava bebendo. Tenho que assumir que até hoje não sei segurar nem cigarro e nem copos na mão esquerda, sendo assim, tinha que priorizar um dos malfeitores.

Morei em Vitória por 3 anos e vim para Belo Horizonte-MG e na república que vivo atualmente, compartilho o vício e alguns cigarros com um amigo apenas. Os demais integrantes não gostam, mas não proíbem por não termos varanda.

Atualmente cheguei ao ponto de comprar pacotes de cigarro no começo do mês, para não correr o risco de acabar a grana e eu ficar sem meu cigarro. Estou na fase Marlboro e começo a sentir os efeitos colaterais: já não tenho o mesmo fôlego que tinha, meus dedos e dentes amarelam-se aos poucos, a tosse é constante e, em alguns dias, já começo a expelir catarro junto com sangue. Estou assustado.

Mas como todo viciado que preza, poderia citar vários motivos para defender meu vício. Citarei os mais relevantes (tolos):

- O cigarro alivia a tensão do dia a dia.

- Quando não tenho nada para fazer, o cigarro ajuda a passar o tempo.

- Por ser tímido, o cigarro deixa minha mão ocupada quando estou em uma festa.

- Continuo fazendo o estilo garoto mal (idiota, isso sim, todos nós fumantes pensam que passam uma imagem de independência, indiferença quanto ao futuro e coisas do tipo).

- O cigarro é uma ótima sobremesa para depois do almoço.

Enfim, apesar de já perceber o mal que esta escolha me faz, desenvolvi uma retórica interessante. Sou capaz de defender meu algoz sem me envergonhar disso.

Esse depoimento serve principalmente para os jovens que ainda não se viciaram. Quando vemos pessoas mais velhas com um cigarro na boca falando que é um vício que não vale a pena, não imaginamos o quão sério estão falando. Quis então dar a minha participação por ainda ter a memória fresca quanto ao começo de meu vício.

Espero que entendam este texto não como uma apologia. Para os que não entenderam, fui sarcástico ao defender o cigarro. É um vício que realmente não vale a pena. Se você ainda não consegue perceber os malefícios quanto a saúde, pense em seu bolso.

Atualmente fumo cerca de 8 cigarros por dia, o que me representa um gasto aproximado de R$70,00 por mês de meu orçamento. Com esse dinheiro poderia fazer diversas coisas que gosto muito e não as faço por falta de dinheiro: frequentar uma academia, comprar livros, ir a mais festas, realizar pequenas viagens.

Torço para que este texto ajude a quem ainda não se viciou. Se tem tempo, abandone logo este hábito!!!

Desculpe Marlboro, provavelmente continuarei fumando, mas é um investimento que não aconselho a ninguém.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

A Evolução (?) do bate papo


Saudações,

Para quem não me conhece pessoalmente, sou um usuário ascíduo de computadores. Essa maravilhosa ferramenta que surgiu na década de 40 com o Eniac e evoluiu constantemente até as grandes máquinas (minúsculas em tamanho) que possuímos hoje dentro de nossas residências.

Minhas experiência como internauta inicia-se em 1998, quando ganhei o meu primeiro computador. Era admirável como o meu AMD K6 300 executava rápido as tarefas de que necessitava. Curioso como sou, aprendi rapidamente a utilizar o Microsoft Word, o Power Point, o Frontpage e o Excel. Mas o melhor estava por vir: Internet Explorer, um programa fantástico que coloca o mundo todo na tela de seu computador.

Nem era preciso tanto para um garoto de 11 anos. Nos meus favoritos constavam poucos sites, dentre eles: www.uol.com.br/chat, www.cade.com.br (nessa época acho que ainda não havia o google), www.zemoleza.com.br (Graças a este site, que na época ainda era gratuito, tive brilhantes "idéias" para os trabalhos de escola), e alguns que não condiziam com a minha idade, mas que me entretiam bastante (pombaloca, tufao, dentre outros).

Era inacreditável quantas pessoas pude conhecer. Passava horas com meu Winamp 3.91 tocando músicas que eu passava 40 minutos apenas para baixar com a minha conexão top de linha de 56kbps. Como era gostoso o sábado as 13:45 quando eu conectava escondido de meus pais pois ainda não era o horário do pulso único, mas se eu aguardasse até as 14:00 levaria uma eternidade para me conectar.

"Oi, qr tc?", "D ond tc?". Eu sequer sabia o que significava o verbo "tc", mas sabia que sempre que usasse essa expressão conheceria pessoas novas. Tímido como sempre fui, nunca chamava ninguém para conversar. Gostava de ficar na sala de bate papo escrevendo o nome da música que eu estava ouvindo. Conheci muita gente de gosto parecido com o meu. Aproveitando a deixa para mandar um grande abraço para a minha amiga Ana Paula de Santa Catarina, conheço essa garota desde os tempos supracitados e até hoje não consegui grana para ir vê-la pessoalmente. Voltando ao assunto, ouvia Iron Maiden, Metallica, Aerosmith, Kittie, Korn e outras bandas. Minha mãe implorava para eu baixar o volume das caixas de abelha do meu computador, porém, em vão.

Mas a vida não era apenas computador. Paralelamente a isso eu aprendia, escondido de meus pais, o quanto era bom ficar bêbado e o quanto era relaxante um Hollywood menta. Os shows na casa de show mais badalada de João Monlevade: O Marrocos Eventos enchia-se de jovens com vida social ativa loucos para ver tocar Insígnias Ducais (atualmente Calk). O melhor de tudo. A entrada custava R$3,00 e a cerveja R$1,00. Saíamos com R$5,00 e conseguíamos beber até vomitar.

Voltando ao mundo virtual. Dois excelentes aplicativos surgiram na época: O ICQ e mIRC. Não sei o número dos meus documentos, mas até hoje me lembro que meu ICQ era 141588386 e me extasiei ao saber que havia um canal onde conectavam apenas pessoas de João Monlevade para conversarem e trocarem arquivos. A vida ficava mais fácil agora. Passávamos o dia na internet para conseguirmos as gatinhas para o sábado a noite.

Meu mundo se esclarecia. Meu futuro era em frente a um computador. Comecei a ganhar uns trocados digitando trabalhos para vizinhos. Agradeço ao meu pai por ter me obrigado a datilografar desde o começo, hoje, modéstia a parte, sou bom nessa atividade. Eu era o cara! Sabia formatar trabalhos de metodologia científica, criar gráficos e tabelas dinâmicas e até mesmo malas diretas!

Convencido de que esta era a melhor forma de ganhar a vida. Optei pela concomitância entre o ensino médio e o curso técnico de informática. Foi a época em que meu mundo virava de pernas para o ar. Além das digitações para os vizinhos, comecei a ganhar grana fazendo provas e trabalhos para os meus companheiros de classe, futuros colegas (concorrentes) de profissão.

Novas portas se abriram. Eu agora sabia programar, mexer no Corel Draw 9, no Flash (não me lembro a versão que estudei) e descobria como montar e programar o funcionamento de um website. Acabava de descobrir o que queria ser.

Na mesma época surge um novo personagem. As pessoas comentavam pela rua sobre um tal de MSN que era muito melhor que o ICQ. "hehehehheeh... Que bobagem!!!", eu pensava. Impossível aparecer um programa melhor que o ICQ: eu posso mandar arquivos, ter vários contatos em minha lista sem precisar entrar em uma sala de bate papo e ainda posso ficar invisível!!!

Mal sabia eu que entraria nessa moda. O MSN veio para detonar mesmo! Meus amigos podiam, assim como no mIRC, ver o nome da música que estava escutando. E a interface? Como era agradável! Não tinha aquela cara de Windows 9! Era algo inimaginável.

Paulatinamente, eu e o restante deste mundo desnaturado abanamos os softwares que haviam nos dado vida. Assim como um filho que sai de casa para trilhar novos caminhos, abandonamos aqueles que nos mostram o mundo.

Como acontece no mundo real quando saímos de casa, os novos recursos do MSN nos possibilitaram fazer coisas erradas escondidos de nossos pais. Eles, que conheceram o computador quando este tinha o monitor monocromático (verde) e utizavam o MS-DOS como sistema operacional jamais imaginariam que podíamos trocar (e realmente trocávamos) palavras comuns por figurinhas de mulher pelada e outras do tipo!!!

O mundo ganhou novas cores. Agora você não mais fazia amizades pela internet, você fazia sexo virtual. Claro que não era tão high tech como o filme que esqueci o nome em que o Silverster Stallone (para quem não liga o nome a pessoa: o Rambo, o rapaz que voltou após uma pausa de quase 10 anos na série para reviver Rock Balboa) e uma atriz deliciosa que, se não me engano, era a Michelle Pfifer (não sei se a grafia está correta) faziam sexo utilizando seus óculos de realidade virtual. Acabava aí o reinado de alguns websites que acompanharam nosso crescimento. Quem ia querer ver os outros se podia você mesmo dizer estar fazendo tudo aquilo?

E o Rambo também não perdia por esperar. Não demorou nada até que surgissem as primeiras webcams. Agora além de imaginar viámos quem estava do outro lado da conversa. Claro, foi uma decepção total. Onde estavam todas aquelas loiras de 1,80 m, 45 kg, olhos azuis, cabelos lisos e seios fartos que todos nós conhecíamos? Eu também tive que abandonar os meus 1,82 e meu corpo másculo para assumir o rapaz franzino que era.

Foi então que o mercado pornográfico percebeu um novo caminho e, dessa vez, nada de gratuidade. Modelos espetaculares agora conversam ao vivo com você pela webcam e, uma amigo meu me falou, que elas ainda te chamam de gato e gostoso. Coitadas das garotas que apenas queriam mais um amigo virtual para falar de seu primeiro beijo. A concorrência era pesada... Todos nós sabemos que os verdadeiros amigos estão ao nosso lado pessoalmente para o que der e vier. Quem queria amizade virtual se podia falar de sexo com um monte de gente ao mesmo tempo?

Desde então, o mundo virtual virou uma grande orgia. Não existem mais nicks com o nome próprio ou o nome da banda que gosta. Hoje todos somos o safado isso, o tarado aquilo, a gostosa não sei o quê, a fogosa carente e milhões de outros nomes de conotação sexual.

Foi-se o tempo do "Oi qr tc?", a abordagem hoje é muito mais agressiva e parte de ambas as partes. Até o momento manifestei-me praticamente como um tarado. Esclarecendo, sou um eterno defensor das mulheres, amo muito todas elas e prefiro culpar-me a chamá-las de fáceis ou oferecidas (não estou sendo sarcástico, algumas realmente o são, mas considero uma minoria).

Enfim, continuo seguindo minha vida em frente a um computador. Agora além dos programas que disse anteriormente uso com freqüência o Adobe Photoshop, o Adobe InDesign, Fireworks, Auto Cad e outros. Meus sites preferidos (e de todo mundo) atualmente são o Okut, o Youtube e o Google; o que marca uma nova era onde sites gratuitos e aparentemente sem publicidade são comprados por mais de um bilhão de dólares. A orgia virtual chegou a tal ponto e todos nós nos prostituímos (quis dizer: exibimos nossa vida pessoal) de tal forma que vender relacionamentos é um negócio absolutamente rentável. Bom para a Google que está entre as 10 empresas mais lembradas em uma pesquisa mundial. Bom para os sequestradores que agora têm total acesso a nossa vida pessoal. Acesso esse tão liberado que serquer precisam sequestrar realmente, basta ligar e anunciar o falso sequestro para receber o dinheiro do resgate. Nessa nova era prevalece a desconfiança, o sexo virtual convergiu para uma atividade igualmente perigosa...

Volte ICQ!!!