
Saudações,
As pessoas mais próximas têm percebido ultimamente a batalha travada entre mim e o cigarro. Quando digo ultimamente refiro-me aos 4 últimos anos, visto que sou fumante há 10 anos (calma pessoal, nos 4 primeiros anos fui um fumante casual.).
Comecei a fumar como qualquer outra pessoa (essa é a melhor parte, onde eu posso sair culpando a todos pela minha fraqueza), por curiosidade. Desde criança ficava maravilhado ao ver as pessoas (meus familiares) soltando fumaça pela boca, quando a soltavam pelo nariz eu ia a loucura! No segundo momento, como forma de integrar-me a um grupo de amigos (desculpa esfarrapada, dos meus grandes amigos, apenas 2 fumam). Recém-chegado a um novo colégio onde alguns garotos fumavam escondidos na parte exterior da janela no 4º andar de um prédio com as cortinas fechadas (isso acontecia durante as aulas). Era o máximo a sensação de liberdade e de onipotência daqueles momentos.
Paralelamente a isso, começava a sair para as baladas e a andar de sk8. Quebrando preconceitos: pelo que constatei pouquíssimos skatistas fumam, portanto, minha idéia de andar de sk8 e fumar era errônea, mas uma imagem de "garoto malvado" que gostava de passar.
Pausa (vou acender um cigarro)
Nunca fumei excessivamente. Comecei fumando 1 cigarro a cada dois ou três dias e aumentei paulatinamente a quantidade. Aos 15 anos andava com uma mochila vazia para esconder o meu maço de Hollywood vermelho dos meus pais. Indagado a respeito da mochila, afirmava sempre ser mais uma questão de estilo que necessidade. Nessa época tive a primeira crise de "caralho, estou fumando pra caralho!!!" e optei por parar. Mantive essa pausa por praticamente um ano e voltei fumando 2 cigarros por dia.
Sempre tive um relacionamento muito aberto com meus pais e, quando voltei, eles souberam. Não foram coniventes, recebi inúmeros castigos por chegar em casa fedendo a cigarro. Meus pais fumam e tenho um irmão um pouco mais inteligente, que tem pavor a bebida e a cigarro, além de ser muito alérgico a fumaça do tubinho de câncer.
Minha vida como fumante deu uma grande alavancada aos 18 anos. Ao alcançar a maioridade podia comprar meus cigarros em qualquer lugar (não que alguma vez encontrei dificuldades para comprá-los, essa fiscalização, a meu ver, jamais existiu verdadeiramente). Para completar acabava de ser aprovado no vestibular e me mudei para Vitória-ES. Pronto, estava totalmente livre para fumar o quanto quisesse e em uma república onde 5 dos 6 integrantes fumavam. Nesse período optei por conhecer diferentes marcas e sabores de cigarro e mantive-me nos de filtro vermelho. Começava a temporada Camel.
Fumei muito durante este período (fumava mais ou menos 5 cigarros por dia). Principalmente nas depressões por estar longe de amigos e família. As paradas casuais ocorriam quando começava algum relacionamento mais sério e as parceiras reclamavam do cheiro.
Mudei de república por motivos particulares. Na segunda república que morei em Vitória eu era o 2º dos quatro integrantes que tinha este hábito e a vigilância era severa. Apenas podíamos fumar na varanda do apartamento. Entreguei-me ao vício e passava longas tardes tostando ao sol, bebendo cachaça, água e fumando. A noite tomava leite para curar o porre e dormia em seguida para ir a faculdade na manhã seguinte.
Ao contrário dos demais fumantes, sempre fumei muito menos quando estava bebendo. Tenho que assumir que até hoje não sei segurar nem cigarro e nem copos na mão esquerda, sendo assim, tinha que priorizar um dos malfeitores.
Morei em Vitória por 3 anos e vim para Belo Horizonte-MG e na república que vivo atualmente, compartilho o vício e alguns cigarros com um amigo apenas. Os demais integrantes não gostam, mas não proíbem por não termos varanda.
Atualmente cheguei ao ponto de comprar pacotes de cigarro no começo do mês, para não correr o risco de acabar a grana e eu ficar sem meu cigarro. Estou na fase Marlboro e começo a sentir os efeitos colaterais: já não tenho o mesmo fôlego que tinha, meus dedos e dentes amarelam-se aos poucos, a tosse é constante e, em alguns dias, já começo a expelir catarro junto com sangue. Estou assustado.
Mas como todo viciado que preza, poderia citar vários motivos para defender meu vício. Citarei os mais relevantes (tolos):
- O cigarro alivia a tensão do dia a dia.
- Quando não tenho nada para fazer, o cigarro ajuda a passar o tempo.
- Por ser tímido, o cigarro deixa minha mão ocupada quando estou em uma festa.
- Continuo fazendo o estilo garoto mal (idiota, isso sim, todos nós fumantes pensam que passam uma imagem de independência, indiferença quanto ao futuro e coisas do tipo).
- O cigarro é uma ótima sobremesa para depois do almoço.
Enfim, apesar de já perceber o mal que esta escolha me faz, desenvolvi uma retórica interessante. Sou capaz de defender meu algoz sem me envergonhar disso.
Esse depoimento serve principalmente para os jovens que ainda não se viciaram. Quando vemos pessoas mais velhas com um cigarro na boca falando que é um vício que não vale a pena, não imaginamos o quão sério estão falando. Quis então dar a minha participação por ainda ter a memória fresca quanto ao começo de meu vício.
Espero que entendam este texto não como uma apologia. Para os que não entenderam, fui sarcástico ao defender o cigarro. É um vício que realmente não vale a pena. Se você ainda não consegue perceber os malefícios quanto a saúde, pense em seu bolso.
Atualmente fumo cerca de 8 cigarros por dia, o que me representa um gasto aproximado de R$70,00 por mês de meu orçamento. Com esse dinheiro poderia fazer diversas coisas que gosto muito e não as faço por falta de dinheiro: frequentar uma academia, comprar livros, ir a mais festas, realizar pequenas viagens.
Torço para que este texto ajude a quem ainda não se viciou. Se tem tempo, abandone logo este hábito!!!
Desculpe Marlboro, provavelmente continuarei fumando, mas é um investimento que não aconselho a ninguém.
As pessoas mais próximas têm percebido ultimamente a batalha travada entre mim e o cigarro. Quando digo ultimamente refiro-me aos 4 últimos anos, visto que sou fumante há 10 anos (calma pessoal, nos 4 primeiros anos fui um fumante casual.).
Comecei a fumar como qualquer outra pessoa (essa é a melhor parte, onde eu posso sair culpando a todos pela minha fraqueza), por curiosidade. Desde criança ficava maravilhado ao ver as pessoas (meus familiares) soltando fumaça pela boca, quando a soltavam pelo nariz eu ia a loucura! No segundo momento, como forma de integrar-me a um grupo de amigos (desculpa esfarrapada, dos meus grandes amigos, apenas 2 fumam). Recém-chegado a um novo colégio onde alguns garotos fumavam escondidos na parte exterior da janela no 4º andar de um prédio com as cortinas fechadas (isso acontecia durante as aulas). Era o máximo a sensação de liberdade e de onipotência daqueles momentos.
Paralelamente a isso, começava a sair para as baladas e a andar de sk8. Quebrando preconceitos: pelo que constatei pouquíssimos skatistas fumam, portanto, minha idéia de andar de sk8 e fumar era errônea, mas uma imagem de "garoto malvado" que gostava de passar.
Pausa (vou acender um cigarro)
Nunca fumei excessivamente. Comecei fumando 1 cigarro a cada dois ou três dias e aumentei paulatinamente a quantidade. Aos 15 anos andava com uma mochila vazia para esconder o meu maço de Hollywood vermelho dos meus pais. Indagado a respeito da mochila, afirmava sempre ser mais uma questão de estilo que necessidade. Nessa época tive a primeira crise de "caralho, estou fumando pra caralho!!!" e optei por parar. Mantive essa pausa por praticamente um ano e voltei fumando 2 cigarros por dia.
Sempre tive um relacionamento muito aberto com meus pais e, quando voltei, eles souberam. Não foram coniventes, recebi inúmeros castigos por chegar em casa fedendo a cigarro. Meus pais fumam e tenho um irmão um pouco mais inteligente, que tem pavor a bebida e a cigarro, além de ser muito alérgico a fumaça do tubinho de câncer.
Minha vida como fumante deu uma grande alavancada aos 18 anos. Ao alcançar a maioridade podia comprar meus cigarros em qualquer lugar (não que alguma vez encontrei dificuldades para comprá-los, essa fiscalização, a meu ver, jamais existiu verdadeiramente). Para completar acabava de ser aprovado no vestibular e me mudei para Vitória-ES. Pronto, estava totalmente livre para fumar o quanto quisesse e em uma república onde 5 dos 6 integrantes fumavam. Nesse período optei por conhecer diferentes marcas e sabores de cigarro e mantive-me nos de filtro vermelho. Começava a temporada Camel.
Fumei muito durante este período (fumava mais ou menos 5 cigarros por dia). Principalmente nas depressões por estar longe de amigos e família. As paradas casuais ocorriam quando começava algum relacionamento mais sério e as parceiras reclamavam do cheiro.
Mudei de república por motivos particulares. Na segunda república que morei em Vitória eu era o 2º dos quatro integrantes que tinha este hábito e a vigilância era severa. Apenas podíamos fumar na varanda do apartamento. Entreguei-me ao vício e passava longas tardes tostando ao sol, bebendo cachaça, água e fumando. A noite tomava leite para curar o porre e dormia em seguida para ir a faculdade na manhã seguinte.
Ao contrário dos demais fumantes, sempre fumei muito menos quando estava bebendo. Tenho que assumir que até hoje não sei segurar nem cigarro e nem copos na mão esquerda, sendo assim, tinha que priorizar um dos malfeitores.
Morei em Vitória por 3 anos e vim para Belo Horizonte-MG e na república que vivo atualmente, compartilho o vício e alguns cigarros com um amigo apenas. Os demais integrantes não gostam, mas não proíbem por não termos varanda.
Atualmente cheguei ao ponto de comprar pacotes de cigarro no começo do mês, para não correr o risco de acabar a grana e eu ficar sem meu cigarro. Estou na fase Marlboro e começo a sentir os efeitos colaterais: já não tenho o mesmo fôlego que tinha, meus dedos e dentes amarelam-se aos poucos, a tosse é constante e, em alguns dias, já começo a expelir catarro junto com sangue. Estou assustado.
Mas como todo viciado que preza, poderia citar vários motivos para defender meu vício. Citarei os mais relevantes (tolos):
- O cigarro alivia a tensão do dia a dia.
- Quando não tenho nada para fazer, o cigarro ajuda a passar o tempo.
- Por ser tímido, o cigarro deixa minha mão ocupada quando estou em uma festa.
- Continuo fazendo o estilo garoto mal (idiota, isso sim, todos nós fumantes pensam que passam uma imagem de independência, indiferença quanto ao futuro e coisas do tipo).
- O cigarro é uma ótima sobremesa para depois do almoço.
Enfim, apesar de já perceber o mal que esta escolha me faz, desenvolvi uma retórica interessante. Sou capaz de defender meu algoz sem me envergonhar disso.
Esse depoimento serve principalmente para os jovens que ainda não se viciaram. Quando vemos pessoas mais velhas com um cigarro na boca falando que é um vício que não vale a pena, não imaginamos o quão sério estão falando. Quis então dar a minha participação por ainda ter a memória fresca quanto ao começo de meu vício.
Espero que entendam este texto não como uma apologia. Para os que não entenderam, fui sarcástico ao defender o cigarro. É um vício que realmente não vale a pena. Se você ainda não consegue perceber os malefícios quanto a saúde, pense em seu bolso.
Atualmente fumo cerca de 8 cigarros por dia, o que me representa um gasto aproximado de R$70,00 por mês de meu orçamento. Com esse dinheiro poderia fazer diversas coisas que gosto muito e não as faço por falta de dinheiro: frequentar uma academia, comprar livros, ir a mais festas, realizar pequenas viagens.
Torço para que este texto ajude a quem ainda não se viciou. Se tem tempo, abandone logo este hábito!!!
Desculpe Marlboro, provavelmente continuarei fumando, mas é um investimento que não aconselho a ninguém.