
Saudações,
Para quem não me conhece pessoalmente, sou um usuário ascíduo de computadores. Essa maravilhosa ferramenta que surgiu na década de 40 com o Eniac e evoluiu constantemente até as grandes máquinas (minúsculas em tamanho) que possuímos hoje dentro de nossas residências.
Minhas experiência como internauta inicia-se em 1998, quando ganhei o meu primeiro computador. Era admirável como o meu AMD K6 300 executava rápido as tarefas de que necessitava. Curioso como sou, aprendi rapidamente a utilizar o Microsoft Word, o Power Point, o Frontpage e o Excel. Mas o melhor estava por vir: Internet Explorer, um programa fantástico que coloca o mundo todo na tela de seu computador.
Nem era preciso tanto para um garoto de 11 anos. Nos meus favoritos constavam poucos sites, dentre eles: www.uol.com.br/chat, www.cade.com.br (nessa época acho que ainda não havia o google), www.zemoleza.com.br (Graças a este site, que na época ainda era gratuito, tive brilhantes "idéias" para os trabalhos de escola), e alguns que não condiziam com a minha idade, mas que me entretiam bastante (pombaloca, tufao, dentre outros).
Era inacreditável quantas pessoas pude conhecer. Passava horas com meu Winamp 3.91 tocando músicas que eu passava 40 minutos apenas para baixar com a minha conexão top de linha de 56kbps. Como era gostoso o sábado as 13:45 quando eu conectava escondido de meus pais pois ainda não era o horário do pulso único, mas se eu aguardasse até as 14:00 levaria uma eternidade para me conectar.
"Oi, qr tc?", "D ond tc?". Eu sequer sabia o que significava o verbo "tc", mas sabia que sempre que usasse essa expressão conheceria pessoas novas. Tímido como sempre fui, nunca chamava ninguém para conversar. Gostava de ficar na sala de bate papo escrevendo o nome da música que eu estava ouvindo. Conheci muita gente de gosto parecido com o meu. Aproveitando a deixa para mandar um grande abraço para a minha amiga Ana Paula de Santa Catarina, conheço essa garota desde os tempos supracitados e até hoje não consegui grana para ir vê-la pessoalmente. Voltando ao assunto, ouvia Iron Maiden, Metallica, Aerosmith, Kittie, Korn e outras bandas. Minha mãe implorava para eu baixar o volume das caixas de abelha do meu computador, porém, em vão.
Mas a vida não era apenas computador. Paralelamente a isso eu aprendia, escondido de meus pais, o quanto era bom ficar bêbado e o quanto era relaxante um Hollywood menta. Os shows na casa de show mais badalada de João Monlevade: O Marrocos Eventos enchia-se de jovens com vida social ativa loucos para ver tocar Insígnias Ducais (atualmente Calk). O melhor de tudo. A entrada custava R$3,00 e a cerveja R$1,00. Saíamos com R$5,00 e conseguíamos beber até vomitar.
Voltando ao mundo virtual. Dois excelentes aplicativos surgiram na época: O ICQ e mIRC. Não sei o número dos meus documentos, mas até hoje me lembro que meu ICQ era 141588386 e me extasiei ao saber que havia um canal onde conectavam apenas pessoas de João Monlevade para conversarem e trocarem arquivos. A vida ficava mais fácil agora. Passávamos o dia na internet para conseguirmos as gatinhas para o sábado a noite.
Meu mundo se esclarecia. Meu futuro era em frente a um computador. Comecei a ganhar uns trocados digitando trabalhos para vizinhos. Agradeço ao meu pai por ter me obrigado a datilografar desde o começo, hoje, modéstia a parte, sou bom nessa atividade. Eu era o cara! Sabia formatar trabalhos de metodologia científica, criar gráficos e tabelas dinâmicas e até mesmo malas diretas!
Convencido de que esta era a melhor forma de ganhar a vida. Optei pela concomitância entre o ensino médio e o curso técnico de informática. Foi a época em que meu mundo virava de pernas para o ar. Além das digitações para os vizinhos, comecei a ganhar grana fazendo provas e trabalhos para os meus companheiros de classe, futuros colegas (concorrentes) de profissão.
Novas portas se abriram. Eu agora sabia programar, mexer no Corel Draw 9, no Flash (não me lembro a versão que estudei) e descobria como montar e programar o funcionamento de um website. Acabava de descobrir o que queria ser.
Na mesma época surge um novo personagem. As pessoas comentavam pela rua sobre um tal de MSN que era muito melhor que o ICQ. "hehehehheeh... Que bobagem!!!", eu pensava. Impossível aparecer um programa melhor que o ICQ: eu posso mandar arquivos, ter vários contatos em minha lista sem precisar entrar em uma sala de bate papo e ainda posso ficar invisível!!!
Mal sabia eu que entraria nessa moda. O MSN veio para detonar mesmo! Meus amigos podiam, assim como no mIRC, ver o nome da música que estava escutando. E a interface? Como era agradável! Não tinha aquela cara de Windows 9! Era algo inimaginável.
Paulatinamente, eu e o restante deste mundo desnaturado abanamos os softwares que haviam nos dado vida. Assim como um filho que sai de casa para trilhar novos caminhos, abandonamos aqueles que nos mostram o mundo.
Como acontece no mundo real quando saímos de casa, os novos recursos do MSN nos possibilitaram fazer coisas erradas escondidos de nossos pais. Eles, que conheceram o computador quando este tinha o monitor monocromático (verde) e utizavam o MS-DOS como sistema operacional jamais imaginariam que podíamos trocar (e realmente trocávamos) palavras comuns por figurinhas de mulher pelada e outras do tipo!!!
O mundo ganhou novas cores. Agora você não mais fazia amizades pela internet, você fazia sexo virtual. Claro que não era tão high tech como o filme que esqueci o nome em que o Silverster Stallone (para quem não liga o nome a pessoa: o Rambo, o rapaz que voltou após uma pausa de quase 10 anos na série para reviver Rock Balboa) e uma atriz deliciosa que, se não me engano, era a Michelle Pfifer (não sei se a grafia está correta) faziam sexo utilizando seus óculos de realidade virtual. Acabava aí o reinado de alguns websites que acompanharam nosso crescimento. Quem ia querer ver os outros se podia você mesmo dizer estar fazendo tudo aquilo?
E o Rambo também não perdia por esperar. Não demorou nada até que surgissem as primeiras webcams. Agora além de imaginar viámos quem estava do outro lado da conversa. Claro, foi uma decepção total. Onde estavam todas aquelas loiras de 1,80 m, 45 kg, olhos azuis, cabelos lisos e seios fartos que todos nós conhecíamos? Eu também tive que abandonar os meus 1,82 e meu corpo másculo para assumir o rapaz franzino que era.
Foi então que o mercado pornográfico percebeu um novo caminho e, dessa vez, nada de gratuidade. Modelos espetaculares agora conversam ao vivo com você pela webcam e, uma amigo meu me falou, que elas ainda te chamam de gato e gostoso. Coitadas das garotas que apenas queriam mais um amigo virtual para falar de seu primeiro beijo. A concorrência era pesada... Todos nós sabemos que os verdadeiros amigos estão ao nosso lado pessoalmente para o que der e vier. Quem queria amizade virtual se podia falar de sexo com um monte de gente ao mesmo tempo?
Desde então, o mundo virtual virou uma grande orgia. Não existem mais nicks com o nome próprio ou o nome da banda que gosta. Hoje todos somos o safado isso, o tarado aquilo, a gostosa não sei o quê, a fogosa carente e milhões de outros nomes de conotação sexual.
Foi-se o tempo do "Oi qr tc?", a abordagem hoje é muito mais agressiva e parte de ambas as partes. Até o momento manifestei-me praticamente como um tarado. Esclarecendo, sou um eterno defensor das mulheres, amo muito todas elas e prefiro culpar-me a chamá-las de fáceis ou oferecidas (não estou sendo sarcástico, algumas realmente o são, mas considero uma minoria).
Enfim, continuo seguindo minha vida em frente a um computador. Agora além dos programas que disse anteriormente uso com freqüência o Adobe Photoshop, o Adobe InDesign, Fireworks, Auto Cad e outros. Meus sites preferidos (e de todo mundo) atualmente são o Okut, o Youtube e o Google; o que marca uma nova era onde sites gratuitos e aparentemente sem publicidade são comprados por mais de um bilhão de dólares. A orgia virtual chegou a tal ponto e todos nós nos prostituímos (quis dizer: exibimos nossa vida pessoal) de tal forma que vender relacionamentos é um negócio absolutamente rentável. Bom para a Google que está entre as 10 empresas mais lembradas em uma pesquisa mundial. Bom para os sequestradores que agora têm total acesso a nossa vida pessoal. Acesso esse tão liberado que serquer precisam sequestrar realmente, basta ligar e anunciar o falso sequestro para receber o dinheiro do resgate. Nessa nova era prevalece a desconfiança, o sexo virtual convergiu para uma atividade igualmente perigosa...
Volte ICQ!!!